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  Apólice de Resgate  

''Indústria'' do seqüestro estimula apólices para cobertura de resgate

 
Data: 28.08.2006 Fonte: VALOR ECONÔMICO The Economist


O seqüestro do filho pequeno de Charles Lindbergh emocionou os Estados Unidos e o mundo em 1932.
A fama de Lindbergh como aviador levou a polícia a o FBI a conduzirem uma grande investigação e um resgate acabou sendo pago.
Infelizmente, a criança foi encontrada morta, enterrada num bosque de Nova Jersey.
Além de deixar uma impressão duradoura sobre a psique americana, o seqüestro Lindbergh também teve um efeito duradouro sobre a indústria mundial dos seguros.

Após o seqüestro, o Lloyd`s de Londres começou a vender para alguns clientes seguros contra seqüestro e seguros-resgate.
Mais de 70 anos depois, seguros contra seqüestros, extorsão e seguros-resgate (conhecidos como no setor `K&R`) é um nicho em crescimento com prêmios anuais de cerca de US$ 250 milhões.

Uma sensação de que o mundo se tornou um lugar menos seguro, depois dos atentados terroristas aos EUA em 11 de setembro de 2001, além de uma onda de seqüestros ao redor do mundo, vem alimentando a demanda, segundo as seguradoras.

Um executivo do setor de seguros afirma que as consultas de potenciais clientes crescem (previsivelmente) depois de crimes que ganham muita publicidade, de uma maneira que `eu quase posso assinalar em um gráfico`. A Hiscox (um sindicato do Lloyd`s), a AIG e a Chubb estão entre os principais subscritores.

Pelo menos 60% das 500 maiores empresas dos Estados Unidos possuem apólices K&R, embora elas sejam bem menos comuns entre as empresas menores.
E as coberturas não se estendem apenas aos altos executivos; engenheiros de campo que trabalham em lugares remotos têm uma probabilidade maior de serem tomados como reféns.
Private bankers recentemente começaram a encorajar seus clientes - de plutocratas a astros da música pop - a comprarem também esse tipo de seguro.

Com o negócio se globalizando, o mesmo vem ocorrendo com as ameaças de seqüestro, embora seja difícil quantificar isso, uma vez que muitos seqüestros não são revelados pela imprensa. A Nigéria é um lugar perigoso: este mês pelo menos 17 estrangeiros - que vão de cidadãos americanos a britânicos, filipinos e ucranianos - foram seqüestrados.
As gigantes do petróleo que operam no delta do Níger, incluindo a Royal Dutch Shell, estão reavaliando o número de funcionários que mantêm no país. Um sindicato dos trabalhadores do setor petrolífero está ameaçando tirar seus membros do país, depois de uma tentativa fracassada, em 20 de agosto, de resgatar um funcionário nigeriano da Shell que foi seqüestrado.
As pessoas que estão praticando esse crime vão de revolucionários violentos, como as guerrilhas da Farc na Colômbia, a criminosos comuns apenas em busca de dinheiro. Na Argentina e no México, a polícia vem sendo acusada de participar de seqüestros.
Um tendência crescente na China envolve o que as seguradoras educadamente chamam de `detenção não comprovada`: empresas locais tentam influenciar executivos estrangeiros durante as discussões de negócios, colocando-os sob prisão domiciliar, graças à cooperação de amigos na polícia ou no governo local.
Aqueles que pagam para se proteger normalmente recebem cobertura para tudo, de pagamento de resgate a soldos perdidos, morte e desmembramento, custos de viagem para a família e colegas, e aconselhamento. A administração de crises é sempre incluída. Clientes cobertos pela Chubb, por exemplo, podem recorrer à Ackerman Group se um de seus funcionários ou parentes for raptado. Essa companhia de Miami vai conduzir tudo, das negociações com os seqüestradores ao trato com a polícia ou membros do governo e `o transporte do dinheiro`, afirma Mike Ackerman, um ex-agente da CIA que preside a companhia. Sua equipe inclui outros ex-expiões, o coronel dos Boinas Verdes, um veterano dos FBI e um ex-membro da Legião Francesa. `Somos muito práticos, mas recebemos ordens da corporação da vítima`, diz Ackerman. Quanto um cliente precisa pagar para uma cobertura dessas depende do tipo, tamanho, destaque e alcance geográfico de sua empresa, além do histórico (incluindo outros seqüestros que tenham ocorrido no passado). Uma pequena empresa do setor produtivo pode desembolsar US$ 500 por ano para uma cobertura de US$ 1 milhão, enquanto uma grande multinacional pode ser cobrada em US$ 50 mil por uma cobertura de US$ 25 milhões.[1] A discrição é importante. As seguradoras reservam-se o direito de cancelar um contrato se um cliente fizer comentários sobre ele, mesmo entre amigos. Isso acontece em parte porque em alguns lugares, uma pessoa segurada pode atrair seqüestradores - mesmo que ela seja pobre, a seguradora é rica. Embora a cobertura K&R não reduza o risco de alguém ser seqüestrado, as seguradoras afirmam que ela diminui as chances da pessoa ser morta.